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O sector da pesca representa menos de 1% do VAB e cerca de 0,6% do emprego (2002).

Apesar da existência de alguns constrangimentos ligados às especificidades do relevo submarino, às características da frota pesqueira e das condições de operação e a dificuldades resultantes do nível sociocultural de grande parte dos ativos do sector, as atividades piscatórias assumem uma importância significativa no contexto socioeconómico e cultural regional e, particularmente, em determinadas localidades da Região (Câmara de Lobos e Caniçal). A pesca igualmente não deixa de ter significativa importância na freguesia de Câmara de Lobos, que apresenta como característica predominante a indústria piscatória. Esta cidade é um porto piscatório do Peixe-Espada Preto. Ligado a este sector está a construção de barcos e a secagem da, tão falada, Gata ou Sapada, o famoso “Bacalhau de Câmara de Lobos”.

O conhecimento progressivo das potencialidades no domínio da pesca, bem como a renovação da frota pesqueira são fatores que vêm contribuindo para uma evolução positiva nos últimos anos. Tem vindo a ser dinamizada a aquacultura marinha na Região, a qual se afigura como alternativa credível à pesca de determinadas espécies, embora sem prejudicar, obviamente, a pesca das pequenas comunidades piscatórias. De referir que o padrão de inatividade existente em particular fora da época de captura de tunídeos à captura de uma única espécie de peixe, o atum, espécie esta de características migratórias e que constitui o único rendimento da maior parte das famílias fixadas naquela localidade.

Sendo esta espécie de peixe de características migratórias, implica que a sua captura tenha carácter sazonal, isto é, desenvolve-se entre Março e Outubro de cada ano, período em que os pescadores daquela localidade obtêm o único rendimento familiar com o qual têm de fazer face aos encargos familiares de todo o ano, uma vez que nos restantes meses, porque não procedem à captura de atum, não recebem qualquer salário.

Porém, apesar de estes pescadores se encontrarem numa situação análoga à de desemprego, não têm estes direito ao correspondente subsídio, uma vez que o sistema de registo das respetivas carreiras contributivas da segurança social, que somente tem em consideração os dias de faina mensal com captura de pescado, independentemente do volume dessa captura, não lhes permite atingir os períodos de garantia necessários para terem direito ao subsídio de desemprego ou social de desemprego, como também implica que os mesmos sejam objeto de despedimento pelo armador, o que nesta atividade é de todo inviável, uma vez que, apesar de não haver captura de atum, os pescadores se encontram vinculados às respetivas embarcações e, durante o período normal de captura, saem para a faina em busca dos cardumes de atum, embora não os consigam detetar e, consequentemente, capturar.

Apesar de ter sido criada a Resolução 22/2001/M, de 27 de Agosto que permite a atribuição do subsídio de inatividade para os pescadores da frota da Região Autónoma da Madeira, será sempre relevante criar novas atividades económicas direcionadas para os pescadores, que possibilitem complementar a sustentabilidade da atividade e seja uma mais-valia clara. Este tipo de apoios, em outros territórios de Portugal tem sido assegurado pelo Fundo Europeu das Pescas existindo mesmo uma abordagem semelhante ao LEADER desenvolvida pelos Grupos de Ação Costeira.